sábado, 15 de janeiro de 2011
Ampulheta
Hoje decidi voltar a escrever, mas vejo o cursor, piscando na tela branca,
a me perguntar: o que?
Respondo que não sei bem. Falar do ano passado, talvez...
Ou do que espero no novo.
Ele responde, impassível, que tem todo o tempo do mundo.
Mas eu não tenho, e não há quem tenha!
O tempo é areia que escoa, na ampulheta da vida.
Grãozinho a grãozinho, e lá se foi mais um dia.
E se dormimos demais, uma oportunidade perdida.
Sono atraente, sedutor e dissimulado, de nome pomposo... Postergação.
Envolve os preguiçosos desatentos com seu encantamento,
prometendo-lhes todo o tempo do mundo.
Deve ser que se disfarça, vez em quando, em cursor.
Deixa pra depois, haverá tempo!
Vem ouvir a voz do vento
Vem sentar na nuvem branca
Vem curtir esse momento!
E como que hipnotizados, rendemo-nos à doce insensibilidade dos sentidos,
Sempre haverá o amanhã.
Deixemos o nada para agora.
Gastemos o tempo com o que não fica na lembrança.
É bom não pensar e relaxar!
E na embriaguez narcótica da procrastinação,
Não se houve o risinho zombeteiro do sono envolvente, e de olhar vazio...
Sempre haverá o amanhã? Pois sim!
Para todos os viventes, cada grãozinho que escorre, nos garante menos um
Até que nos chegue o dia em que não haverá mais nenhum.
Assinar:
Comentários (Atom)


