domingo, 18 de setembro de 2011

Medo de amar


Idealizei para mim, um amor de sonho
romântico e coerente, gentil e firme,
forte e sensível, tímido e sensual,
reservado e dado ao diálogo,
sério e divertido, racional e apaixonado,
que mirasse meus olhos
e visse minha alma, gêmea da sua...
Tão improvável que beira a loucura.

Mas o que é, de fato, o Amor?

O Amor e o sofrimento trilham caminhos tão próximos
que, por vezes, se abraçam e decidem seguir juntos.

A dor de amor dói tanto que põe medo
E nos aprisiona no meio do mundo,
como que num pequeno e sufocante aquário
posto a poucos passos do mar...
Do vidro desse aquário se vê uma imensidão de água e vida...
mas falta coragem de ir até lá.

domingo, 17 de julho de 2011

Motim

Ontem, num lapso de distração

Da atriz que mora em mim,

Um motim de lágrimas

Estourou de meus olhos.



Refugiaram-se, quase todas,

No meu sorriso gelado.

Algumas, porém, preferiram

O alento do meu colo,

E essas aproveitaram

pra implorar ao coração

Que desobstrua a fonte

pra que corram, livremente.

Porque a dor que se finge não sentir, nunca sara, nunca passa.

Torna amarga a nossa alma. Desencanta, rói e mata.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Ironia


Há quem tanto cresce em si
que passa a julgar insuficiente
quem lhes dedicou a vida,
até que as perdem,
e dói a falta.

É que na ausência de quem lhes amou
dão-se conta de que não são nada extraordinários,
e que foram convencidos pelo amor do outro,
que os via além da mediocridade.

E então, sentem saudade
da amorosa visão rósea
de apaixonados olhos míopes.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Ponto de voar


O que posso fazer
se ja não sinto amor
se a chama apagou
e a fonte secou,
o que posso fazer?

O que posso fazer
se não sei mais querer
e não sinto o prazer
de estar com você?

Nada mais que se faça.
foi-se o riso e a graça,
sufocados no descaso
vazio do teu olhar.

(BH, 16/03/2011)

sábado, 15 de janeiro de 2011

Ampulheta



Hoje decidi voltar a escrever, mas vejo o cursor, piscando na tela branca,
a me perguntar: o que?
Respondo que não sei bem. Falar do ano passado, talvez...
Ou do que espero no novo.
Ele responde, impassível, que tem todo o tempo do mundo.

Mas eu não tenho, e não há quem tenha!
O tempo é areia que escoa, na ampulheta da vida.
Grãozinho a grãozinho, e lá se foi mais um dia.
E se dormimos demais, uma oportunidade perdida.

Sono atraente, sedutor e dissimulado, de nome pomposo... Postergação.
Envolve os preguiçosos desatentos com seu encantamento,
prometendo-lhes todo o tempo do mundo.
Deve ser que se disfarça, vez em quando, em cursor.

Deixa pra depois, haverá tempo!
Vem ouvir a voz do vento
Vem sentar na nuvem branca
Vem curtir esse momento!

E como que hipnotizados, rendemo-nos à doce insensibilidade dos sentidos,
Sempre haverá o amanhã.
Deixemos o nada para agora.
Gastemos o tempo com o que não fica na lembrança.
É bom não pensar e relaxar!

E na embriaguez narcótica da procrastinação,
Não se houve o risinho zombeteiro do sono envolvente, e de olhar vazio...
Sempre haverá o amanhã? Pois sim!

Para todos os viventes, cada grãozinho que escorre, nos garante menos um
Até que nos chegue o dia em que não haverá mais nenhum.
 

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